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Conheça algumas motivações para a abertura de capital de sua empresa

Conheça algumas motivações para a abertura de capital de sua empresa
31 Mai 17

Última alteração - 11/07/2017 12:20:01

Do Monza ao IPO: a abertura de capital da Linx

Para financiar seu crescimento, as empresas possuem diversas fontes de captação à sua disposição. Conhecer os caminhos e também os desafios e oportunidades inerentes a cada um deles é fundamental para a tomada de decisão do executivo. A escolha deve considerar, entre outros aspectos, o prazo do financiamento, as exigências em gestão, governança e controles internos, bem como a mudança cultural necessária.

Uma companhia de capital aberto tem acesso a todos os instrumentos de captação oferecidos pelo mercado de capitais. Abrir o capital significa que a empresa pode acessar o capital de terceiros via emissão de títulos de dívida e, inclusive, receber novos sócios. O IPO, sigla em inglês para “initial public offering”, pode ser definido como a primeira oferta pública de ações de uma empresa no mercado primário. Isto é, a companhia emite ações e as vende para investidores, que passam a ser sócios do negócio.

Existem diversas motivações que levam as empresas a abrir o capital. Além do acesso a uma fonte de capital sem limitação (o aumento do capital social e a consequente admissão de novos sócios não tem limite se a empresa possuir projetos de crescimento e investidores interessados em financiá-los), obter liquidez patrimonial via Bolsa também é uma opção para os investidores ou empreendedores que queiram vender um percentual ou o total de suas ações para o mercado.

A Linx, empresa de tecnologia que desenvolve e comercializa software de gestão para o setor de varejo, realizou seu IPO em 2013. Essa decisão não foi tomada de um dia para o outro. Abrir o capital é uma das deliberações mais estratégicas de uma empresa, pois muda radicalmente a dinâmica e processos da companhia, além do seu relacionamento com o mercado. Fundada na década de 80 por Nercio Fernandes, com o capital da venda de seu Monza, a Linx traçou uma trajetória pautada em muito trabalho, preparação e dedicação até chegar à Bolsa, há 4 anos.

Desde 2007, os executivos da Linx sabiam que a estratégia de crescimento era não apenas necessária, mas a única possível. O mercado de software de varejo no Brasil era extremamente pulverizado e a consolidação parecia ser a opção mais viável entre adquirir outras empresas ou ser adquirida. Porém, como financiar essas aquisições? 

Nesse contexto, entram o BNDESpar, braço de participações do BNDES, e o fundo norte-americano de private equity General Atlantic. Por meio dessas associações, a Linx entendeu como era ter um sócio, alguém que traz capital, porém interfere na gestão e no processo de decisão da empresa, principalmente em relação ao seu planejamento estratégico.

A empresa e seus executivos, certamente, aprenderam com as aquisições que fizeram e com a presença dos novos sócios nas reuniões de Conselho. Daí em diante, o IPO era um caminho natural a ser seguido, tanto pelo capital, ainda necessário frente à estratégia de expansão da Linx, quanto pela necessidade de dar alguma liquidez aos seus novos sócios. Visto que o fundo compra participações em empresas, tornando-se sócio, e tem o objetivo de alavancar o crescimento do negócio e, consequentemente, seu valor, após um período, normalmente de 5 a 7 anos, o private equity vende sua participação e espera obter um retorno sob o capital investido, já que a sua participação deve ter valorizado com o resultado da companhia. É comum que esse desinvestimento seja feito via abertura de capital. Desde o ano 2000, 40 % dos IPOs realizados na B3 possibilitaram a saída parcial ou total de um investidor.

Para conhecer a história completa do IPO da Linx, da tomada de decisão com o Monza ao início da negociação das suas ações, acesse o livro Histórias que Inspiram: Casos de Abertura de Capital no Brasil, desenvolvido com o objetivo de compartilhar experiências e motivações de empresas brasileiras que optaram pelo mercado de capitais como fonte de financiamento.

 

Adriana Barreto integra a Superintendência de Prospecção de Empresas da BM&FBOVESPA desde janeiro de 2013. É responsável pelo relacionamento com as empresas que ainda não estão listadas em bolsa de valores, desenvolvendo atividades voltadas à capacitação empresarial e à preparação para abertura de capital. Gerencia ainda o canal de comunicação virtual da BM&FBOVESPA com esse público, o Vem pra Bolsa. Atuou também nas áreas de Desenvolvimento de Negócios da EY e do Banco Santander. Possui 8 anos de experiência na área de novos negócios, 6 deles dedicados ao relacionamento com pequenas e médias empresas. Com MBA em Economia Empresarial (USP) e pós-graduação em Negócios Internacionais (Mackenzie), é graduada em Relações Internacionais (UNESP) e tem cursos de especialização em Vendas & Marketing (ESPM) e Administração (FGV).